2006-07-11

O meu mundo...

Olho para trás. Não para trás das costas, mas para o passado. Procuro uma recordação de um momento feliz, em que a incosciência e a inexperiência (própria da infância) me permitia viver sem angústia, sem ansiedade e sem medo. Sei que os tive. Foram vários os momentos em que brinquei, despreocupado, em que transformava o mundo à minha volta, em que pintava a vida como se ela fosse um conto de fadas escrito e desvendado por mim. Tive uma infância feliz, sem traumas, mas agora vejo como nunca fui uma criança atenta ao mundo que me rodeava. Não sou nenhum autista, mas de certa forma, tenho a noção de que vivia diariamente num mundo distante. No meu mundo, não existiam bruxas, nem vilões, preversidade ou pecado. Não havia hipocrisia, mentira e dor.

Os anos passaram, e aquilo a que chamamos crescimento, amadurecimento, adolescência, leva-nos a descobrir coisas que antes não nos interessavam. O amor é daquelas coisas que quando somos crianças nem sequer pensamos. Para uns chega-lhes o amor das mães, dos pais, das avós, dos avôs, das tias ou dos tios... mas quando tomamos consciência da nossa individualidade, da nossa condição mortal e de curta duração, da nossa sexualidade, da nossa personalidade e da nossa complexidade, iniciamos uma busca por alguém que nos complete, que nos dê segurança, que nos faça esquecer, que nos abraçe, que nos toque, que nos desperte emoções, sentimentos, desejos, que nos faça sentir amados e que por nós se sinta amado.

Conhecemos pessoas, definindo os tipos que entendemos reunirem tais condições. Experienciamos os mais básicos sentimentos, e os mais puros instintos, degladiamo-nos, forçamos, pressionamos e impressionamos, persuadimos, usamos, abusamos, sofremos na pele aquilo que fazemos aos outros. Chegamos a um ponto em que já todos abusámos, mentimos, fizémos alguém sentir-se mal por nossa culpa, conscientes ou insconscientes de tal facto.

Tornamo-nos adultos.

Seremos sempre mais ou menos adultos, consoante o nosso percurso até aí. Depende do tempo e da forma como é interrompida a nossa infância e o momento a partir do qual deixamos de poder viver alheados de um mundo inteiro que se processa à nossa volta e que não pára, independentemente da nossa consciência de que ele existe.

O meu mundo ainda existe dentro de mim, e às vezes projecta-se nas minhas atitudes no mundo que todos partilhamos. Chamam-me, por vezes, ingénuo, mas isso acontece pela minha natural impreparação para lidar com um mundo onde coexiste a mentira e a verdade, a hipocrisia e a consciência dela, onde existe o amor, mas onde o ódio é mais visivel e mais fulminante.
Eu não tenho remédio. E não pretendo mudar, mas aprendo diariamente que vou ter de guardar o meu mundo dentro de mim, no meu coração, e alhear-me dele quando tiver de interagir com as pessoas deste outro mundo em que eu existo, do qual faço parte e que não depende inteiramente de mim.

4 Comments:

At 4:16 PM, Anonymous Anónimo said...

ainda existe pessoal inocente, neste mundo!!!supreendente! eu também já fui assim, há muito, muito tempo... depois veio o tempo (esse ingrato e vil companheiro de todas as horas)e fiquei assim, alguns dizem que as pessoas são assim desde o seu nascimento, outros apenas se tornam assim depois de algo lhes acontecer... será?

já estou a divagar bastante, talvez demais, boa sorte

 
At 1:32 PM, Anonymous Jhonni said...

oi! adorei ler o k xcreveste..! força pa ti! um abraç*

 
At 11:29 AM, Blogger | s t a r | said...

anônimo: eu acho que as pessoas se tornam assim depois de lhes acontecer algo. Só que como há pessoas que desde muito cedo se tornam assim, acham que já nasceram assim. Nao há verdades absolutas, mas só posso falar do que sei por experiência própria.

jhonni: obrigado! Também escreves? Um abraço para ti também!

 
At 2:34 PM, Blogger Jhonni said...

..agora já escrevo.. lol um abraço

 

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